quarta-feira, 9 de março de 2011

Capítulo 3

Naqueles dias, até aqueles que possuíam uma fé que parecia inabalável, deixaram-se cair. O medo e a saudade dos tempos em que tudo era simples e rotineiro, estavam sempre presentes nos sussurros noturnos.
Numa noite, o navio foi acometido por uma intensa tempestade.  O pânico foi o sentimento em comum dos brancos e dos negros, dos libertos e dos escravos.
Gritaria.
De repente abre-se a porta do compartimento do local onde os negros estavam armazenados como mercadorias que ainda estão dentro das caixas esperando para serem postas nas prateleiras.
- Calem a boca, seus animais! A situação está crítica e vocês não estão ajudando em nada. Se eu ouvir novamente gritos , se arrependerão do dia que nasceram!
O chicote foi lançado no ar, e acertou a perna de um senhor que estava sentado à frente do capataz. Sangue escorreu.
Situação crítica? Mais ainda? Será que isso seria possível? O bom mesmo era acatar as ordens e engolir a seco toda a tormenta que os consumia.
As mulheres ouviram os gritos do capataz, e antes que algo de pior acontecesse, se calaram. Com os olhares cúmplices, diziam no silêncio: "tudo acabará bem!".
Era isso que todos precisavam acreditar...
Acreditar!

3 comentários:

  1. é tudo uma questão de esperança, que o amanha seja melhor, ..............
    Quando levamos a vida para a frente é precisamente com esse pano de fundo que nos movemos em frente.........
    Gostamos do teus blogs
    Beijinhos
    As lobitas

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  2. Uma saga que promete, temperada das dificuldades que forjam um rumo, para o melhor e para o pior.

    Bj

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  3. Oi Lu, que lindo, você escreve muito bem!
    Tenha uma ótima semana!
    http://www.arionetorres.blogspot.com.br/

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